Na Europa têm sido adoptadas diferentes estratégias relativamente à estrutura dos campeonatos de futebol de modo a serem alcançados melhores resultados a nível desportivo e financeiro.
A Eredivisie, principal liga holandesa, é um caso particular que reflecte a necessidade de inovação face ao produto oferecido aos fãs da modalidade. De acordo com o ranking elaborado pela IFFHS, a Eredivisie foi, em média, entre 1991 e 2011, a nona principal liga mundial sendo que o país apresentou as suas melhores prestações na década de 70 (4º lugar no ranking da UEFA, em média).
Em 2004, a Federação Holandesa de Futebol (KNVB), decidiu dividir as equipas profissionais holandesas (32) em quatro categorias no sentido de avaliar as suas políticas: os três principais clubes (Ajax, Feyenoord e PSV), dez clubes ambiciosos da Eredivisie, dez clubes dinâmicos (cinco da Eredivisie e cinco da Eerste Divisie, segunda divisão), e os restantes clubes da Eerste Divisie. Após esta análise, a KNVB concluiu que a criação de um campeonato composto por equipas holandesas e belgas seria benéfico dado que aumentaria a competitividade das equipas que actuassem nas competições europeias. No entanto, a UEFA vetou esta possibilidade levando a que a KNVB avaliasse outras alternativas com o intuito de tornar o seu futebol profissional mais atractivo.
Desta forma, foi introduzido um sistema de Playoffs a partir de 2005/2006 com o objectivo de alcançar o acesso às competições europeias e a participação na Eredivisie. Entre a referida época e a actual foram realizadas pequenas modificações, em consonância com os clubes, de modo a tornar o sistema mais equitativo e equilibrado e a alinhá-lo com o número de lugares disponíveis nas competições da UEFA.
| 2005/2006 | 2012/2013 | ||
|---|---|---|---|
| Classificação Fase Regular | Output | Classificação Fase Regular | Output |
| 1º Eredivisie | UEFA Champions League | 1º e 2º Eredivisie | 1 lugar na UEFA Champions League + 1 lugar nas Pré-Eliminatórias da UEFA Champions League |
| 2º-5º Eredivisie (Playoffs) | 1 lugar na UEFA Champions League + 2 lugares na UEFA Cup | 3º e 4º Eredivisie + Vencedor da Taça da Holanda | 3 lugares na UEFA Europa League |
| 6º-9º Eredivisie (Playoffs) | 1 lugar na UEFA Cup | 5º-8º Eredivisie (Playoffs) | 1 lugar na UEFA Europa League |
| 10º-13º Eredivisie (Playoffs) | 1 lugar na UEFA Intertoto Cup | 16º e 17º Eredivisie + 8 equipas da Eerste Divisie (Playoffs) | 2 lugares na Eredivisie |
| 16º e 17º Eredivisie + 8 equipas da Eerste Divisie (Playoffs) | 2 lugares na Eredivisie | 18º Eredivisie + 1º Eerste Divisie | 18º relegado para a Eerste Divisie; 1º promovido à Eredivisie |
| 18º Eredivisie + 1º Eerste Divisie | 18º relegado para a Eerste Divisie; 1º promovido à Eredivisie |
Os Playoffs foram implementados com o objectivo de criar uma maior envolvência, tensão e competitividade; oferecer jogos mais atractivos; obter melhores assistências e audiências; aumentar a exposição do campeonato, clubes e parceiros; aumentar a competitividade dos clubes e jogadores nas competições europeias; e aumentar as receitas dos clubes e do mercado holandês.
De facto, os efeitos desta alteração são visíveis na medida em que levaram a uma variação positiva da assistência média nos últimos anos e a um crescimento de 25% do total de espectadores nos estádios entre 2001/2002 e 2008/2009. No entanto, é importante referir que o aumento das assistências está também associado à modernização e expansão dos estádios de alguns dos principais clubes holandeses (ex: AZ Alkmaar).
| Época | Assistência Média nos Estádios | VAR (%) |
|---|---|---|
| 2010/2011 | 19.296 | -1,6% |
| 2009/2010 | 19.608 | -0,9% |
| 2008/2009 | 19.789 | 5,6% |
| 2007/2008 | 18.732 | 3,6% |
| 2006/2007 | 18.078 | 7,6% |
| 2005/2006 | 16.805 | 3,5% |
| 2004/2005 | 16.237 | 1,6% |
Desde 2005/2006, o Playoff relativo ao acesso aos lugares nas competições europeias foi responsável por um acréscimo de 1,1 milhão de espectadores nos estádios enquanto que o Playoff relativo ao acesso à Eredivisie proporcionou um aumento de aproximadamente 650.000 espectadores. A nível competitivo, verificou-se também uma tendência positiva representada por uma melhoria do coeficiente do país. A título de exemplo, a Holanda atingiu um coeficiente de 11,166 pontos na época de 2010/2011 tendo em 2005/2006 atingido apenas 7,583 pontos, o que lhe permite ter um maior número de clubes nas competições da UEFA.
Deste modo, o aumento do número de jogos e da competitividade através da implementação do sistema de Playoffs, tem proporcionado benefícios aos clubes, nomeadamente a nível das receitas de bilheteira, direitos televisivos, prémios de competições europeias e patrocínios, levando a um crescimento do mercado holandês a nível global.
Fontes: Football Talks 2011 (apresentação de Frank Rutten, CEO da Eredivisie); European Football Statistics; DeJonghe, T., van Hoof, S., Lagae, W. e Verschueren, J. 2010. “The Netherlands and Belgium.” In Managing Football: An International Perspective. ed. Sean Hamil and Simon Chadwick. 409-436. London: Butterworth-Heinemann; CBS Statistics Netherlands; economico.sapo.pt
Hugo Almeida09.02.12 em 12:38
Olá Nuno!
E que tal enviar esta análise para o presidente do SLB, e do presidente para os outros clubes e dos outros clubes para a Liga Profissional?
Este sistema é óbvio que funciona melhor que o sistema atual.
Há 20 anos que o conheço e defendo, só não estou no sitio certo para o demonstrar, mas tu estás.
E já é usado há dezenas de anos nas melhores e mais competitivas ligas desportivas do mundo…NBA, MLB, NFL, NHL..etc, etc.
Dá o salto, defende esta ideia e sê o catalizador de uma mudança importante no futebol nacional.
Cumprimentos,
Hugo Almeida
(colega gestor desportivo)