Bordéus trava monopólio do Lyon
22.06.09 · Análise Financeira · 886 Leitores · 3 Comentários
O Girondins de Bordeaux terminou esta temporada com o domínio do Olympique Lyon em termos desportivos. Num campeonato Francês dos mais competitivos dos últimos anos e com receitas 3 vezes inferiores às do Lyon, o Bordéus conseguiu provar que é possível bater o monopólio financeiro dos grandes clubes Europeus, através do rigor financeiro e de uma excelente equipa de futebol.
Analisando as realidades financeiras dos dois clubes levando em conta o exercício de 07/08, verificamos que em termos de receitas o Bordéus conseguiu gerar 67,8 milhões de Euros, contra os mais de 155 milhões de Euros gerados pelo Olympique Lyon.
As receitas provenientes de direitos televisivos significam cerca de 50% das receitas totais de cada clube, no entanto o Bordéus consegue arrecadar 40 milhões de Euros, enquanto o Lyon alcança os 75 milhões de Euros, em grande parte devido às suas performances na Champions League, uma vez que termos de partilha receitas tv da Ligue1 os clubes recebem praticamente o mesmo.
Em termos de custos totais com a massa salarial das equipas, o Bordéus gastou 35,8 milhões de Euros em salários, representando cerca de 52% das suas receitas, contra os 100 milhões de Euros gastos anualmente pelo Lyon em salários.
Apesar dos números, o Bordéus conseguiu bater no campo desportivo o actual maior clube de França, contribuindo grandemente para o aumento da competitividade da Ligue1. No entanto esta realidade só é possível através das apertadas regras financeiras e de gestão implementadas e controladas pela DNCG (Direcção Nacional de Controle e Gestão), que assegura que os clubes cumprem topos os requisitos financeiros, permitindo a administradores, treinadores e jogadores mais concentração na vertente desportiva das instituições.













Já era mais que o tempo de o Lyon perder o campeonato. Títulos seguidos só servem para deixar os campeonatos sem graça.
Abraços
A relação receitas obtidas/salários pagos do Bordeaux (1,89) se comparada com a do Lyon (1,55) mostra a eficiência financeira e esportiva do time campeão.
Isso demonstra que nem sempre o clube com a maior receita, em termos monetários, é aquele que obtém os melhores resultados dentro de campo de futebol.
A Ligue 1 diagnosticou esse detalhe importante no mundo do futebol, mostrando que a eficiência esportiva não vem exclusivamente do poderio econômico da equipe, mas de como administrar racionalmente os recursos financeiros obtidos.
Bom artigo de análise financeira vs resultados desportivos. A verdade é tal como o sr. José Batista Gomes referiu e o artigo referem, i.e., nem sempre quem tem maior poder financeiro ganha.
O futebol como desporto que é, jamais será possível um controlo absoluto de tal forma que os clubes que investem mais possam garantir resultados desportivos.
Já agora, já repararam que esse controlo apenas existe virtualmente em competições como os campeonatos nacionais? Já repararam que em Liga dos Campeões ou taças UEFAs ou mesmo nas ligas de clubes sul-americanas, o campeão por vezes parece surgir de forma surpreendente?
É certo que esta temporada o Barcelona venceu a LC, no entanto, também eles são um bom exemplo de que a continuidade de um plantel mais uns quantos investimentos bem feitos, poderão gerar lucro binomial, i.e., lucro desportivo e lucro financeiro.
Gostaria de terminar a minha opinião, perguntando à edição do site se está prevista um artigo sobre o novo contrato que o Benfica acabou de assinar com a SAGRES, um contrato de 12 anos.
Cumprimentos Futebolísticos!